As hidrelétricas são o pilar da matriz elétrica brasileira, pois são uma fonte estável, renovável e com baixa emissão de carbono. Esses empreendimentos têm a capacidade de armazenar grandes volumes de água nos reservatórios, possibilitando a geração de energia conforme a demanda, o que confere flexibilidade operacional ao sistema elétrico. Essa capacidade de adaptação se torna ainda mais importante em momentos de pico de consumo ou instabilidade no fornecimento, garantindo um abastecimento contínuo e eficiente.
No contexto brasileiro, as hidrelétricas não apenas asseguram a confiabilidade do sistema elétrico, mas também são responsáveis pela modicidade tarifária, reduzindo custos para os consumidores. Além disso, elas diminuem a dependência de fontes de energia que emitem maiores quantidades de gases de efeito estufa, como as termelétricas, contribuindo para a preservação do meio ambiente e o cumprimento das metas climáticas globais.
A importância das usinas hidrelétricas, no entanto, vai além da geração de eletricidade. Esses empreendimentos também desempenham um papel fundamental na gestão dos recursos hídricos do país. Os reservatórios artificiais são responsáveis por armazenar grandes volumes de água, essenciais para o abastecimento humano, irrigação agrícola e outras atividades essenciais à sociedade. De acordo com o Informe Anual da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) de 2024, o Brasil conta com 240 mil massas d’água mapeadas, sendo 3.661 reservatórios artificiais com capacidade total de armazenamento de 630,2 bilhões de metros cúbicos, dos quais 92,7% são dedicados à geração hidrelétrica.
Apesar dos benefícios evidentes, a expansão de novas usinas hidrelétricas no Brasil foi descontinuada nos últimos anos. No entanto, é hora de retomar esse debate com base em dados científicos e compromissos claros com o futuro. Em 2025, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou o Caderno de Estudos “Um olhar para as UHEs – Desafios e oportunidades para o aproveitamento hidrelétrico brasileiro“, que traz uma análise detalhada sobre as hidrelétricas no país. O estudo destaca os benefícios das usinas existentes e o potencial de expansão, que pode agregar até 66 GW de capacidade adicional à matriz energética nacional.
A hidreletricidade é um componente essencial na estratégia para a redução das emissões de gases de efeito estufa e no cumprimento das metas climáticas do Acordo de Paris. A falta de investimentos nesse setor coloca em risco a segurança energética e a modicidade tarifária no Brasil, além de comprometer o alcance das metas ambientais globais.
A Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrage) segue engajada em promover o diálogo sobre a importância das hidrelétricas dentro do setor elétrico e junto à sociedade. Com uma visão de futuro que combina responsabilidade ambiental, social e técnica, a Abrage reforça a necessidade de um planejamento estratégico para garantir a sustentabilidade e a segurança energética no Brasil.